Dia 04, de Urubici/SC à Passo Fundo/RS

Dia 04, de Urubici/SC à Passo Fundo/RS

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02/07/2014. Começamos o nosso quarto dia encontrando o Celso no café da manhã da pousada, por sinal, muito farto, com várias opções de bolos, salgados, a grande maioria feita na pousada. Acabamos nos entretendo na conversa com o Celso, muito simpático contando vários causos engraçados. Acabamos saindo mais tarde do que o planejado, por volta das 10:30.

Nosso plano para hoje, como não conseguimos atravessar a Serra do Corvo Branco, era descer e subir a Serra do Rio do Rastro e depois seguir sentido Passo Fundo/RS. Saímos de Urubici/SC pela SC-110 sentido São Joaquim, mas depois de alguns quilômetros avistamos uma bela cachoeira, a Cachoeira do Avencal (GPS: S28.04596° W49.61774°), e decidimos visitá-la. Acessamos a estrada de terra, em bom estado, de 1.5 km, que dá acesso à cachoeira. Pagamos a entrada de R$5 (tenho dúvida do valor) por pessoa e fomos de moto até o mirante superior da cachoeira.

A Cachoeira do Avencal tem uma queda d'água de 100 metros muito bonita. Dentro da fazenda há outras atividades, dentre elas, uma travessia de tirolesa pelo vão da cachoeira, que é só para os aventureiros sem medo de altura.

Como o dia prometia ser longo, voltamos para a estrada SC-110 e depois pegamos a SC-390 sentido Lauro Muller/SC. A estrada tem um traçado tranquilo, mas falta manutenção, tem muitos buracos na pista, num trecho tive que ir para a contramão para não cair na cratera que tinha na pista. A região é bem bonita. Próximo a cidade de Bom Jardim da Serra/SC tem um rio bem simpático que vai margeando a estrada. Então, basta um pouco de atenção para desviar dos buracos e remendos, que dá para fazer um passeio bem agradável.

Chegamos no mirante da Serra do Rio do Rastro (GPS: S28.39361° W49.54946°) por volta das 12:15. Paramos para tirar várias fotos, a vista a mais de 1400 msnm impressiona, e aquela estrada lá em baixo, toda sinuosa, te chamando para você andar nela. Não deu para segurar, não ficamos mais do que 15 minutos, queríamos fazer finalmente a famosa Serra do Rio do Rastro.

O trecho mais difícil da serra tem bom calçamento, a pista é de concreto, com ranhuras para ajudar na aderência e no escoamento da água que mina de alguns pontos da parede da serra. As curvas são bem fechadas, do tipo cotovelos (hairpin), com grande inclinação, então o melhor é ir devagar, com cuidado, assim sobra mais tempo para curtir a paisagem.

Importante, uma recomendação: mantenha distância do veículo a sua frente, pois as curvas são muito fechadas, e os caminhões, dependendo do tamanho e por melhor que seja o motorista, acabam sendo obrigados a invadir a pista contrária para conseguir fazer a curva. Alguns caminhões compridos chegam a ter que dar ré no meio da curva para manobrar e conseguir passar. Minhas sugestões de segurança: - mantenha distância do veículo a sua frente. - se tiver que parar, pare no trecho reto e não na curva, pois você evita de atrapalhar um veículo grande no sentido contrário e na curva talvez não de pé e você acabe derrubando a moto. - se tiver que parar, especialmente na descida, pare distante do veículo à frente, pode ser que tenham que dar ré. Deixando o espaço à frente, você consegue manobrar e sair de trás dele, ou no mínimo deixa espaço para ele conseguir dar um pouco de ré. - se estiver diretamente atrás de um caminhão, reduza a velocidade se ele for pequeno, ou pare completamente se for maior, deixando espaço para ele fazer a curva ou manobrar. - procure ver antes da curva se não está vindo um caminhão no sentido contrário, se estiver, pare bem antes da curva, ainda na reta, e dê a preferência para a passagem dele. - lembre-se, se você estiver descendo, não vai conseguir “dar ré” na sua moto, pois alguns trechos são muito inclinados, então, mantenha distância.

Para os motociclistas novatos, gostaria de deixar as seguintes dicas de como prefiro executar a descida em trechos com grande inclinação como este: - velocidade ajuda a dar equilíbrio e estabilizar a moto, especialmente na descida, fique com essa "carta na manga”. O que quero dizer com isso: procure se acostumar a descer na menor velocidade possível, o mais devagar que você conseguir, desta forma, você terá espaço para, caso venha a se desequilibrar, poder aliviar os freios, ganhar um pouco de velocidade e estabilizar a moto. Assim que estabilizar, volte a reduzir a velocidade. - nas curvas bem fechadas (hairpin), com inclinação na descida, procure fazer um traçado bem aberto, caso venha a se desequilibrar, você terá espaço para fechar rapidamente a curva e soltar um pouco o freio, retomando o equilíbrio. - antes de chegar no ponto de tentar colocar o pé no chão, preste atenção na inclinação da pista na curva. Se você ver necessidade de colocar o pé nó chão, saberá para que lado inclinar a moto, facilitando colocar o pé do lado mais alto da pista. Pela minha experiência, na maioria dos casos, o lado fora da curva é o mais alto, com maiores chances de "dar pé”.

Voltando ao relato, chega de recomendações e dicas…. vou acabar assustando o caboclo que queira fazer essa estrada…. rs…. Além do que, no dia anterior, na Serra do Corvo Branco, foi bem mais complicado pela falta de asfalto. O cuidado tem que ser bem maior, tanto que, a Rio do Rastro pareceu fácil e a fizemos com muita tranquilidade.

Esta é a segunda vez que faço este trecho, e ele continua a me impressionar, vemos aquela parede da serra, que divide o planalto e o litoral catarinense. A estrada de um lado margeando a parede da serra, às vezes de rocha, às vezes com vegetação, do outro lado, um grande vão, permitindo enxergar longe, uma vista maravilhosa, e aquele precipício para te lembrar de parar de ficar olhando para o lado e prestar a atenção na pista.

Como prevíamos que nosso dia ainda seria muito longo, decidimos fazer apenas os 8 primeiros quilômetros da descida da serra, é onde há a maior inclinação, descendo 800 m nesses 8 km. Os restantes 14km até Lauro Muller/SC continuam sinuosos, com curvas de baixa velocidade, mas sem os cotovelos e numa inclinação de descida mais suave. Então, demos meia volta e pudemos ver a Serra do Rio do Rastro de outro ponto de vista, de quem esta subindo a serra. A Claide, que fazia o trajeto pela primeira vez, pode se maravilhar tanto com a descida quanto com a subida.

Antes de passarmos novamente em Bom Jardim da Serra/SC, decidimos parar na Churrascaria Cascata (GPS: S28.34810° W49.59909°) para almoçar, mas achamos muito caro para uma comida que não tinha nada de mais.

Seguimos viagem, passamos por São Joaquim/SC, onde fizemos uma parada para abastecimento no Posto BR (GPS: S28.29078° W49.94687°) e pegamos a SC-114 sentido Lages/SC. O tempo estava encoberto e a estrada com muitos buracos e remendos, em alguns trechos com equipes fazendo manutenção. Chegamos a pegar uma chuva leve que durou poucos minutos mas, com cuidado, foi tranquilo fazer esse trecho.

Em Lages/SC, pegamos a BR-116, que estava em reforma no trecho dentro da cidade mas, ao sair, sentido Vacaria/RS, a estrada melhora, com asfalto e sinalização em bom estado.

Entramos no Rio Grande do Sul passando a ponte sobre o Rio Pelotas às 17:10, mas poucos metros depois, encontramos uma fila de 1.5km de veículos parados por conta de um acidente. Como já era tarde e ainda tínhamos que rodar mais de 200km até Passo Fundo/RS, não queríamos passar pelo perrengue do primeiro dia de novo e ficar parados na estrada ao anoitecer. Decidimos passar os carros na contra-mão, bem devagar, e é claro que demos de cara com a Polícia Rodoviária Federal, que nos pararam e deram um justo sermão. Não discutimos e concordamos que estávamos errados, e depois de um tempo, por sorte, acabaram nos liberando para seguir viagem. No outro sentido, a fila já estava maior do que 2.5km, outros motoristas chegaram a nos parar para pedir informação, acho que isto é o pior, ficar parado na estrada sem saber o que aconteceu e quanto tempo vai levar para liberar a pista.

Antes de chegar em Vacaria/RS, precisamos parar para trocar as viseiras escuras pelas transparentes perto do Posto Fiscal e, já na entrada da cidade, paramos no Posto BR (GPS: S28.47937° W50.89947°) para abastecer as motos. Na Triumph, o frentista acabou forçando o bico da bomba contra um restritor que há no bocal do tanque e o empurrou para dentro do tanque. Posteriormente acabamos nos orientando com o pessoal da Triumph que recomendaram deixar assim e não mexer, pois não deveria atrapalhar a nossa viagem, o que realmente aconteceu. Pegamos um pouco de trânsito para atravessar a cidade, devia ser a hora do rush.

Pegamos a BR-285, já era de noite, mas conseguimos manter um ritmo próximo dos 80 km/h e duas horas depois estávamos chegando em Passo Fundo/RS. Naquele trecho, à noite, acabamos passando um pouco de frio, pois não estávamos muito agasalhados, mas preferimos continuar rodando ao invés de parar novamente. Outra dificuldade que tivemos, é que os carros no sentido contrário nos davam farol alto quando cruzavam com a gente. Fiz uma parada rápida para ajustar o farol da Triumph, que com o TopCase carregado, tinha ficado com o facho um pouco alto, mas mesmo corrigindo isso, alguns motoristas não baixavam o farol quando cruzavam com a gente (que raiva!).

Mas, o pior mesmo, foi a imprudência dos motoristas nesta estrada, o pessoal na região sul já é mais agressivo no volante, mas nesse dia abusaram, andavam colados em nós, sem necessidade, pois sempre sinalizamos e facilitamos ultrapassagens, e quando ultrapassavam, comiam a nossa faixa tirando uma fina das motos…. Pra que isso? Recomendo evitar rodar a noite nessa estrada, é só stress com os motoristas e com os buracos na pista.

Lá para as 20:15 chegamos em Passo Fundo/RS, paramos num posto Ipiranga (GPS: S28.25253° W52.39505°) para esticar as pernas e pesquisar no celular um hotel para aquela noite. Acabamos escolhendo o Ibis (GPS: S28.26244° W52.41007°) da cidade, mas não recomendo porque nos cobraram o estacionamento das motos, cuja informação estava bem confusa no site deles e dava a entender que era gratuito, e pior, o estacionamento não é exclusivo do hotel, fica dentro de um shopping, acessível a qualquer um e você tem que dar uma boa volta para levar e buscar a moto. Irritados com isso e o péssimo atendimento na recepção, fomos finalmente descansar.

Veja também:
- o relato da Claide para este dia: "Finalmente Serra do Rio do Rastro.... com direito a sermão da polícia federal..."
- o relato do dia anterior: "Dia 03, de Joinville/SC à Urubici/SC"
- o relato do dia seguinte: "Dia 05, de Passo Fundo/RS à São Miguel das Missões/RS "

Anexos

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    Track Garmin (compacto) do trecho que fizemos no dia 04 da expedição.
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  • mr2014_04_full.GPX.zip
    Track Garmin (completo e compactado .zip) do trecho que fizemos no dia 04 da expedição.
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