Dia 06, de São Miguel das Missões/RS à Resistencia/CHO/ARG

Dia 06, de São Miguel das Missões/RS à Resistencia/CHO/ARG

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04/07/2014. Começamos o sexto dia com um farto café da manhã na Pousada das Missões. Com toda a confusão da Mapfre com o seguro da Triumph, mesmo decidindo continuar a viagem sem o seguro, ainda precisávamos providenciar o seguro Carta Verde, um seguro contra terceiros obrigatório em alguns países da América do Sul. Aguardamos no hotel até umas 10hs da manhã, mas como não recebemos, decidimos continuar a viagem até São Borja, última cidade brasileira antes da fronteira com a Argentina.

Saímos de São Miguel das Missões pela RS-536 e então pegamos a BR-285 sentido oeste. Como no dia anterior, vários reparos na pista nos obrigavam a manter a atenção na estrada, mas pior mesmo, eram os motoristas, que dirigiam sem cuidado algum, sem sinalizar, entrando e saindo da pista para acessar as fazendas.

Um pouco antes de chegar em São Borja (GPS: S28.65070° W55.87056°), fizemos uma parada rápida para fotos, queríamos capturar uma imagem das plantações da região que ficam às margens da estrada. Era um verde muito bonito, que se manteve mesmo com as fortes chuvas que castigaram a região poucos dias antes.

Entramos em São Borja perto do meio-dia, seguimos em direção ao centro para tentar encontrar alguma lan house ou papelaria onde pudéssemos imprimir a Carta Verde que estava faltando. Mas boa parte do comércio da cidade fecha para o almoço. Por sorte, passamos em frente ao restaurante Algo Mais (GPS: S28.66154° W56.00496°) que nos agradou e aproveitamos para parar e almoçar. O restaurante possui um pequeno estacionamento na lateral, onde pudemos parar as motos. Mesmo cheio, conseguimos encontrar uma mesa livre e fomos no servir no excelente bufê a kilo. Quando fomos pagar, perguntamos no caixa uma indicação de onde poderíamos imprimir o documento que faltava. Como eram poucas páginas, gentilmente nos ofereceram para imprimir e pudemos continuar viagem. Aproveitamos e abastecemos num posto BR (GPS: S28.66341° W56.00489°) próximo do restaurante e limpamos as luzes e as placas que estavam cobertas de barro do dia anterior.

Seguimos em direção à fronteira. A divisa entre os dois países é marcada pelo rio Uruguai neste trecho. Quando passamos pela ponte internacional (RN121), pudemos ver que o rio estava bem cheio com as chuvas e que se tivéssemos tentado atravessar em outra fronteira, que dependesse de balsa, provavelmente não teríamos conseguido atravessar.

A aduana dos dois países fica em um mesmo complexo no lado argentino (GPS: S28.59187° W56.03172°). Não houve necessidade de passar pela polícia federal brasileira, bastou seguirmos para a imigração argentina, onde preenchemos um formulário simples, e em menos de 15 minutos já estávamos rodando do lado argentino. Há um pedágio neste trecho, mas que aceita Reais e Pesos Argentinos. Uma recomendação é passar na cidade de Santo Tomé/COR, que fica bem na divisa, e trocar um pouco de dinheiro para os primeiros gastos.

Pegamos a Ruta Nacional 14 (RN14) sentido Norte por cerca de 70km, a estrada de pista simples estava em bom estado, com longas retas e curvas abertas. Pela primeira vez em nossa viagem pegamos vento lateral, não estava forte, mas nos obrigava a aumentar o nível de atenção na pista. Neste trecho encontramos basicamente caminhões.

Pouco depois da cidade de Gobernador Virasoro pegamos a Ruta Nacional 120 (RN120) que liga a RN14 até a RN12. A estrada também estava em bom estado, com menos vento e o traçado é mais reto ainda do que a RN14. O trecho de 57km estava bem tranquilo, com pouquíssimo tráfego.

Por volta das 15:25 pegamos a Ruta Nacional 12 (RN12) sentido Corrientes/COR. Novamente a estrada estava em bom estado e formada por longas retas e curvas abertas. O tráfego de veículos era mais intenso, moderado na verdade, e os motoristas argentinos dirigem de forma parecida com a dos brasileiros. Esta região é uma grande planície, com vistas para grandes campos. Em alguns pontos do começo deste trecho é possível ver o Rio Paraná que faz a divisa da Argentina com o Paraguai.

Acabamos parando em um dos primeiros postos que encontramos, próximo da cidade de Ituzaingó/COR, um posto YPF (GPS: S27.60530° W56.68469°). Abastecemos as motos, fomos no banheiro e tomamos um refrigerante para continuar a viagem. Tivemos que pagar o abastecimento em dinheiro, e como não tánhamos trocado dinheiro por pesos, fizeram uma péssima cotação para o nosso Real, abaixo da cotação oficial. Na loja de conveniência pagamos com cartão de crédito. Uma coisa interessante na Argentina, é que muitos postos tem Wifi grátis, basta solicitar a senha ao atendente.

Continuamos rodando mais um pouco pela RN12 e paramos novamente em outro posto por volta das 17hs, estava começando o jogo do Brasil contra a Colômbia na Copa do Mundo 2014. A pequena conveniência do posto ACA (GPS: S27.44153° W57.36543°), próximo à cidade de Ita Ibate, estava lotada com argentinos acompanhando o jogo e torcendo contra o Brasil. Era engraçado ver a torcida contra enquanto nos mantínhamos “anônimos” disfarçando a nossa torcida a favor. Melhor foi quando saiu o primeiro gol, e não aguentamos e comemoramos, a conveniência inteira virou para nós… kkkk… O jogo estava bom e acabamos acompanhando o primeiro tempo inteiro. Depois pagamos a nossa conta e seguimos viagem pela RN12, já era seis da tarde e o sol estava se pondo. Há alguns pedágios na RN12, mas não encontramos na Argentina nenhum pedágio que cobrasse motos, pelo que me lembro, a passagem é pela lateral próxima ao acostamento.

Chegamos na entrada da cidade de Corrientes/COR às 19:25 e pegamos a Ruta Nacional 16 (RN16), que atravessa a cidade. Outros motociclistas tinham nos avisado sobre os policiais corruptos da cidade, estudamos inclusive um manual de como passar pela cidade e pegar a ponte que leva a cidade de Resistencia/CHO/ARG. Seguimos as instruções à risca, rodamos pela pista local e fizemos o retorno no ponto indicado, mas fomos parados do mesmo jeito. A alegação é de que não poderíamos ter feito o retorno ali, mesmo não havendo placa alguma indicando o contrário. Olharam rapidamente a nossa documentação, nem verificaram a Carta Verde, e já começaram a pedir “una contribución”. Respondi que não tínhamos Pesos Argentinos, somente um pouco de Reais. De pronto responderam que também aceitavam a moeda brasileira. Já era tarde e tínhamos rodado quase 600 km em mais de 9 horas de viagem, estávamos cansados, olhei para a carteira e tentei escolher um valor que fosse o menor possível e eles aceitassem. Acabei oferecendo R$70, o que foi aceito na hora.

Antes de entrar na Argentina chegamos a enviar email ao consulado brasileiro em Buenos Aires pedindo orientação de como proceder caso passássemos por uma situação de extorsão como essa. Veja a resposta:

O Consulado do Brasil tem recebido reclamações sobre atuação policial nas estradas argentinas. Já foi dado conhecimento às autoridades locais, oficialmente, da ocorrência desta espécie de incidente.

O Consulado do Brasil não tem qualquer ingerência sobre os serviços das polícias locais, ou sobre mecanismos internos de apuração de denúncias.

Para tentar evitar incidentes recomenda-se, inicialmente, ter consigo toda a documentação e equipamentos necessários, de acordo com as recomendações acima. Se mesmo assim o cidadão brasileiro for vítima de algum incidente envolvendo a polícia local, recomenda-se contatar o Consulado. Recomenda-se encarecidamente que o nacional busque reunir o máximo de dados sobre os oficiais envolvidos (nome do policial, placa do veículo, data e local da ocorrência, eventual autuação que lhe seja entregue, se o policial que o abordou pertence à polícia federal, estadual, rodoviária etc), a fim de possibilitar a retransmissão da reclamação às autoridades competentes, para que tomem as providências que julgarem cabíveis.

Entenda, sou totalmente contra propinas, subornos, cafezinhos. Nunca fiz isso no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. Sabendo do problema, procuramos pesquisar e nos informar ao máximo sobre os trechos que iríamos passar. Nos mantivemos sempre atentos à sinalização, éramos conservadores na velocidade e sempre dirigíamos na defensiva. Este trecho de Corrientes é uma verdadeira armadilha, não há sinalização informando sobre a proibição de motocicletas na pista central, todas as sinalizações para atravessar a ponte te levam à pista central, no retorno que fizemos não há indicação proibindo a conversão. Acredito piamente que seguimos todas as regras e procedimentos locais e não houve infração. Mas, mesmo que tenhamos feito algo errado, existe o bom senso e a tolerância com um turista que passa pela primeira vez por um local. Não tivemos vantagem alguma em fazer aquele caminho, não furamos um sinal vermelho para ganhar tempo, não fizemos uma conversão para encurtar um caminho. Acredito inclusive que se tivéssemos feito outro caminho, teríamos sido parados por alguma outra alegação inexistente.

Fizemos o que achamos mais sensato. Não adianta criar confusão, bater pé e ainda correr o risco de ser “perseguido” no resto da viagem. A ponte Corrientes-Resistencia é um dos lugares mais famosos por achaques a motociclistas brasileiros. Conforme o relato do consulado, as autoridades locais já estão cientes, e o que podemos ver na prática é que são coniventes com a situação. Depois do ocorrido, entramos novamente em contato com o consulado brasileiro e passamos as informações sobre o ocorrido.

O aborrecimento que tivemos me lembrou o desabafo muito puto de outro motociclista brasileiro que está no youtube.com. Estávamos felizes naquele dia, era o primeiro dia fora do Brasil na nossa viagem, nosso primeiro dia na Argentina. Aquilo estragou o nosso dia, um sentimento péssimo de revolta, que contamina a imagem de um país. É muita burrice tratar o turista que esta visitando o país daquele jeito, nossa vontade é procurar outros destinos antes de voltar para a Argentina, uma pena, pois ainda tem muita coisa bonita para visitar naquele país.

Gostaria de esclarecer que não tivemos o mesmo problema em nenhum outro momento da nossa viagem. Mesmo dentro da Argentina, o tratamento que tivemos por outros policiais foram sempre cordiais, acredito que a corrupção esteja restrita a algumas regiões e não seja algo generalizado.

O achaque dos policiais de Corrientes durou cerca de dez minutos, voltamos para as motos e acessamos a ponte Corrientes-Resistencia. Rodando pouco mais de vinte minutos estávamos chegando ao nosso hotel em Resistencia, o Niyat Urban Hotel (GPS: S27.45096° W58.98482°, booking.com). O hotel fica bem no centro da cidade, os quartos são modernos, mas bem pequenos, sobrando pouco espaço para as nossas malas e tralhas. O estacionamento fica a duas quadras do hotel, o que obriga você a ir até o hotel para descarregar as malas e então sair com as motos até o estacionamento. A única vantagem era a localização, com vários restaurantes e comércios próximos ao hotel. Minha recomendação para quem está viajando de moto é procurar outro hotel, de preferência longe do centro, mais próximo da rodovia, normalmente são maiores, o estacionamento é junto ao hotel e o acesso para continuar a viagem é mais fácil.

Depois de um dia tão cansativo e com o aborrecimento que tivemos, tomamos um bom banho e pedimos a entrega de comida por um restaurante recomendado pelo hotel. Fomos dormir cedo, pois o plano para o dia seguinte eram longos 817km até Salta/SAL.

Veja também:
- o relato da Claide para este dia: "Em solo Argentino, sexto dia!"
- o relato do dia anterior: "Dia 05, de Passo Fundo/RS à São Miguel das Missões/RS"
- o relato do dia seguinte: "Dia 07, de Resistencia/CHO/ARG à Joaquín V. González/SAL/ARG"

Anexos

  • Descrição do Arquivo
    Tamanho do Arquivo
    Tipo do Arquivo
    Downloads
  • mr2014_06_full.GPX.zip
    Track Garmin (completo e compactado .zip) do trecho que fizemos no dia 06 da expedição.
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  • mr2014_06_cpt.GPX
    Track Garmin (compacto) do trecho que fizemos no dia 06 da expedição.
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