Dia 08, de Joaquín V. González/SAL/ARG à San Miguel de Tucumán/TUC/ARG

Dia 08, de Joaquín V. González/SAL/ARG à San Miguel de Tucumán/TUC/ARG

  
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06/07/2014. No planejamento que fizemos antes de sair de São Paulo, colocamos como um dos destinos a cidade de Cafayate/SAL e algumas atrações próximas, como a Quebrada del Rio de Las Conchas, Embalse Cabra Corral e Quebrada de Las Flechas. Depois de toda aquela epopéia do dia anterior, à noite conversei com nosso amigo Willian, que nos deu a dica e insistiu para conhecermos a Ruta Provincial 307 que passa pela cidade de Tafí del Valle. Depois dessa contribuição, mudamos o roteiro e ao invés de subir a Ruta Nacional 9 (RN9) passando por Salta, iríamos desce-la passando por San Miguel de Tucumán/TUC e Tafí del Valle/TUC para então chegar até Cafayate/SAL.

O oitavo dia começou bem devagar, o cansaço do dia anterior era grande. Tomamos um café da manhã bem simples no Hotel Ayres de Campo, onde estávamos hospedados. O café era composto basicamente de pães e geléias. Carregamos as motos e fomos abastecê-las no segundo posto YPF (GPS: S25.11633° W64.13176°). Tinham nos dado a dica de tentar trocar dinheiro neste posto. Mas, como era domingo, não encontramos a pessoa que normalmente fazia essa troca.

A temperatura na cidade estava baixa, algo perto de 16C. A Claide para se prevenir do frio, além da roupa de Cordura, vestiu a capa de chuva. Ficou parecendo um Teletubbie amarelo fosforescente. Já eram 10:40 quando começamos a rodar na Ruta Nacional 16 (RN16). Nos 100km até o encontro da RN16 com a RN9 conseguimos manter uma boa velocidade, mesmo com a temperatura caindo bem. Chegamos a pegar 8C naquele trecho, a menor temperatura em cima da moto até aquele momento da viagem. Este trecho na RN16 continuava bem mal conservado, como no dia anterior, com muitos buracos e irregularidades na pista.

Ao chegar na RN9, pegamos sentido Sul, e em menos de 10 minutos, rodando por uma pista em ótimas condições, estávamos chegando na cidade de San José de Metán/SAL. Este trecho da RN9 coincide com a RN34. A estrada atravessa a cidade, onde há vários semáforos, em um deles, um ambulante vendia algo em um saquinho verde, que depois fomos entender que se tratava de folha de coca.

Ainda dentro de Metán, decidimos parar em um posto grande (GPS: S25.49822° W64.98108°), com restaurante, caixa eletrônico e banheiros. O nome do restaurante era Bar Ruta 34, entramos para tomar um chocolate quente e nos aquecer, mas acabamos gostando bastante e ficamos para fazer um almoço rápido. Pedimos um Lomito, um sanduíche de carne que estava delicioso, nele vai carne, presunto, ovo, alface e tomate. Pedimos também uma sopa, acho que chamava Pastel de Choclo, típica da região. Choclo é um tipo de milho de grãos grandes, e a sopa é bem encorpada, feita com partes de carne de gado que não conseguimos identificar, lembrava uma dobradinha. Não foi muito do nosso paladar, mas tomamos mesmo assim.

Depois de pagar a conta do restaurante com cartão de crédito, perguntamos no posto se eles também aceitavam cartão para pagar o abastecimento das motos, mas solamente efectivo. Passei no caixa automático para sacar dinheiro, que além da taxa de cambio ser a oficial, uma das piores, cobravam uma taxa adicional para o saque. Então, atenção ao usar os caixas automáticos para sacar dinheiro.

Enquanto estávamos no restaurante, encontramos uma oferta em um bom hotel em Tucumán e decidimos que dado o cansaço, iríamos fazer um dia mais curto e confirmamos a reserva no Hotel Hilton Garden Inn (GPS: S26.83254° W65.22169°, booking.com). Com isso, evitávamos o risco de rodar à noite a RP307 até Cafayate e poderíamos aproveitar para descansar um pouco.

Pouco depois das 13hs estávamos saindo do posto em Metán, sentido Tucumán, quando cruzamos com um outro grupo de motociclistas argentinos com algumas big trails. Acenamos e começamos a rodar pela RN9. A estrada é de pista simples, formada de longas retas e poucas curvas, mas com um tráfego mediano de veículos. Olhando para o oeste podemos ter uma bela vista dos montes Calchaquíes (Cumbres Calchaquíes), entre eles e a cordilheira temos o vale onde fica localizada a cidade de Cafayate. O verde deste trecho contrasta e muito com o marrom que encontrávamos na RN16 do dia anterior. Há pedágios no trecho, mas não cobram motos. Passamos por alguns postos policiais, mas não fomos parados em nenhum e em alguns deles retribuíam o nosso aceno ao passar.

Em cerca de duas horas fizemos os 170km até Tucumán. Com a ajuda do GPS, mais especificamente com o mapa gratuito do Projeto Mapear, conseguimos atravessar a cidade e chegar no hotel com tranquilidade.

Às 15hs estávamos fazendo o checkin no Hilton. Claro que tinha que ter alguma confusão, e o recepcionista não encontrou a nossa reserva. Usando o wifi do hotel, fizemos uma nova reserva, pois a tarifa de balcão era muito alta. Naquele dia, havia uma promoção do Hilton no site tripadvisor, que redirecionava para o site do hotel para concluir a reserva, mas que não cumpriam o preço promocional. Em Metán já tinhamos mandado um e-mail ao atendimento ao cliente Hilton, onde nos responderam para ficarmos tranquilos pois posteriormente nos estornariam a diferença.

Feito o checkin, deixamos as nossas malas no quarto e fomos conhecer o hotel. Lá dentro tem um cassino, mas só com máquinas caça-níqueis; uma piscina descoberta, que a água devia estar congelando; Uma academia completa, mas que não nos interessou nem um pouco. O que nos interessou mesmo foi a jacuzzi, voltamos para o quarto e nos trocamos e logo depois já estávamos relaxando.

Perto das 18h, descemos e na frente do hotel há alguns restaurantes e acabamos escolhendo uma churrascaria. Fomos perguntar a que horas iriam começar a servir, e nos responderam que seria às 21h. Como já estávamos ficando com fome, passamos no Café Havana ao lado e fizemos um pequeno lanche para segurar a fome até mais tarde. Depois voltamos para o hotel e fomos conhecer os caça-níqueis. Achei meio deprimente, muitos velhinhos, que ficavam o tempo todo apertando um botão. Me pareceu um passatempo onde você não precisa pensar nada, só fica apertando aquele botão, meio sem sentido. Mas como não queríamos julgar sem ter jogado, compramos uma ficha, acho que de valor equivalente a uns vinte reais, e fomos para as máquinas. Não conseguíamos entender exatamente como jogava, só via que os créditos da nossa ficha iam embora, e em cerca de quinze minutos, só tinha sobrado um centavo. Voltamos para o quarto para fazer hora.

Às 21h em ponto estávamos de volta na churrascaria e ela continuava fechada. Perguntamos novamente que horário iria abrir, responderam às 22h. Eita, como argentino janta tarde. Toca voltar para o quarto para esperar mais. Tinha ficado na nossa cabeça que queríamos comer um tradicional churrasco argentino nessa viagem.

Voltamos às 22h e ainda não tinham aberto. Acho que de tanto a gente perguntar, decidiram abrir para nós. Sentamos e nos serviram um pequeno couvert. O buffet de saladas ainda não tinha sido montado. Ficamos conversando mais um pouco, até que perguntaram quais seriam os cortes que cada um ia escolher. Moral da história, fomos terminar de jantar lá para a meia-noite. A comida foi bem fraca, para não dizer ruim. A única vantagem foi que perguntamos para o gerente onde poderíamos trocar dinheiro e ele respondeu que tinha interesse. A cotação foi boa. Então, não recomendamos a churrascaria que fica em frente ao hotel. Escolha outro restaurante entre as opções que tem lá.

Nós gostamos bastante do hotel, mesmo eles não tendo cumprido a promoção. Então, se você estiver na região e eles estiverem num bom preço, nós recomendamos uma parada nele.

Veja também:
- o relato da Claide para este dia: "Descansando em Tucumán no oitavo dia..."
- o relato do dia anterior: "Dia 07, de Resistencia/CHO/ARG à Joaquín V. González/SAL/ARG"
- o relato do dia seguinte: "Dia 09, de San Miguel de Tucumán/TUC/ARG à Cafayate/SAL/ARG"

Anexos

  • Descrição do Arquivo
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    Tipo do Arquivo
    Downloads
  • mr2014_08_full.GPX.zip
    Track Garmin (completo e compactado .zip) do trecho que fizemos no dia 08 da expedição.
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  • mr2014_08_cpt.GPX
    Track Garmin (reduzido) do trecho que fizemos no dia 08 da expedição.
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Comentários

Joaquín V. González

Ola amigo estou lendo seu roteiro e todos os seus dias, esta me ajudando a montar e decidir o meu trajeto, nao entendi o porque voce de Joaquín V. González nao foi direto para Tilcara,.. algum no meu trajeto inicial faria algo do tipo, porem vi que voce desceu para San Miguel do Tucuman, Cafayate e Cabra corral, diz que esta volta que voce fez, ai em mais dois dias de viagem compensa fazer?

Abraço!

Resposta do Proprietário

Olá Douglas,

Meu planejamento começou com três destinos principais: Serra do Rio do Rastro (BRA), Atacama(CHI) e Machu Picchu(PER). Ao começar a traçar a rota, vi que não tinha colocado nenhum destino na argentina, ao mesmo tempo não poderíamos ir muito ao Sul por conta do inverno.

Nossa viagem permitia flexibilidade e conversando com um amigo ele sugeriu a simpática cidade de Cafayate (ARG). Dessa sugestão e pesquisando mais sobre a região, mudamos o nosso roteiro e valeu a pena.

O que posso destacar desse desvio foram:

- RP-307, que "liga" San Miguel de Tucumán à Cafayate, passando por Tafí del Valle. Por atravessar uma "pré-cordilheira" a estrada é bem sinuosa e tem paisagens bem legais. Para o lado de Tucumán, temos uma vegetação bem verde, com um riacho e pequenas cachoeiras. Próximo de Tafí del Valle, o terreno se torna mais árido. Tafí fica a cerca de 2000 msnm, tem um lago nessa altitude e pode ser uma cidade diferente para passar uma noite num lugar bem frio. Seguindo sentido Cafayate, começamos a ver os cordones (cactos), passa na cabeça aquela imagem de estarmos entrando no desenho do papa-léguas.

- Cafayate, uma simpática cidade voltada especialmente para a produção de vinhos com uvas Torrontés e para o Turismo. Pode ser uma cidade para passar apenas uma noite ou alguns dias e conhecer as vinícolas.

Saindo de Cafayate você pode fazer dois caminhos diferentes para seguir para Salta:

- RN-68, estrada asfaltada em bom estado. No trecho inicial de 50kms tem várias formações no terreno que valem a pena parar e conhecer, é o trecho conhecido como Quebrada de Las Conchas (fizemos um bate-volta no dia 10). Um pouco mais para frente temos a represa de Cabra Corral, se tiver tempo, pegue uns 10km da RP-47 e vá conhece-lá. Depois disso, até salta, não há muitas atrações.

- RN-40, estrada de rípio que segue o rio Calchaquí. Fizemos este trecho no dia 11. Nela temos a Quebra de Las Flechas, outra formação interessante e as vistas para o rio. Eu gostei de ter feito esta estrada, mas para quem não curte rípio ou tem pouco tempo, o melhor é seguir pela RN68.

- Saímos da RN-40 e pegamos a RP-33, metade asfaltada, metade em rípio, que atravessa o Parque Nacional los Cardones, onde vimos muitos cardones(cactos) à beira da estrada. Depois descemos pela Cuesta del Obispo, com vistas muito legais do vale do rio Escoipe. Gostei bastante desse trecho também.



Respondendo a sua pergunta, se você tiver tempo para fazer, eu acho que compensa conhecer esses locais.

Numa próxima viagem, acho que não faria todo esse trecho da RN-16 pelo Chaco, eu provavelmente saíria na RN-89 sentido Santiago del Estero, conheceria o autódromo em Termas de Río Hondo e pegaria a RP-307 até Cafayate. De Cafayate você tem duas opções, subir direto pela RN-68 até Salta. Ou rodar os primeiros 50km da RN-68, voltar e pegar RN-40 (tem a RP-44 que liga a RN-68 à RN-40, que não conheço, mas pode ser uma opção) e por fim fazer a RP-33 para voltar para a RN-68 já perto de Salta.

E de Salta para Jujuy, faça pela RN-9, estrada asfaltada, sinuosa, muito interessante.


Qualquer dúvida é só perguntar...


Um abraço,
Bueno

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