Dia 09, de San Miguel de Tucumán/TUC/ARG à Cafayate/SAL/ARG

Dia 09, de San Miguel de Tucumán/TUC/ARG à Cafayate/SAL/ARG

  
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07/07/2014. A programação para o nono dia de viagem era saírmos de San Miguel de Tucumán/TUC, passar por Tafí del Valle/TUC e então chegar em Cafayate, num percurso total de 220km.

Como não seria um dia muito longo, aproveitamos para dormir até um pouco mais tarde e tomamos um farto café da manhã no hotel. Fechamos a conta, carregamos as motos e na saída de Tucumán, aproveitamos para abastecer as motos em um posto Shell (GPS: S26.84340° W65.20755°). Já era meio-dia.

Pegamos a Ruta Nacional 38 (RN38), que nos primeiros 30km até Famaillá/TUC, é uma estrada duplicada em bom estado. Embaixo de uma das pontes policiais acompanhavam o movimento dos veículos, mas não estavam parando ninguém e passamos sem sermos abordados. Os 10km seguintes até a cidade de Acheral/TUC, é de pista simples, também em bom estado, com um pouco de trânsito.

Então pegamos a Ruta Provincial 307 (RP307), uma importante passagem que atravessa uma “pré-cordilheira”, bem no ponto onde termina a Sierra del Aconquija ao sul e começa os Cumbres Calchaquíes ao norte. Os primeiros 8km até o povoado de Santa Lucía/TUC são razoavelmente planos, mas depois começa a subida na Quebrada de Los Sosa. Uma “quebrada” é um vale estreito composto por montanhas cuja encosta é muito íngrime, formando verdadeiros desfiladeiros. Esta quebrada foi formada pela erosão de um rio de mesmo nome.

A estrada segue muito sinuosa margeando o rio e bem inclinada para vencer a subida desta passagem. A vegetação é densa, de um verde muito bonito, quase uma selva. De um lado a encosta do morro, do outro um precipício, com o rio lá embaixo. São muitas curvas, algumas bem fechadas como na Serra do Rio do Rastro (SRR) no Brasil. Este trecho de Acheral até Tafí tem cerca de 60km e parte de 370 msnm (metros sobre o nível do mar) e chega a 2000 msnm. Para quem gosta de curvas e serra, é um prato cheio.

Mais próximo de Tafí começamos a pegar um pouco de trânsito na subida, tinha um caminhão andando devagar mais pra frente, e com poucos pontos de ultrapassagem para os carros, acabou formando uma boa fila. Precisamos só de um pouco de paciência. Conforme fomos subindo, a temperatura foi caindo, chegou a 8C, e a paisagem começa a ficar mais seca. A uns 8 km da cidade de Tafí chegamos ao vale de mesmo nome, a estrada fica menos sinuosa e agora temos uma bela vista do lago El Mollar (ou represa La Angostura) que fica à 2137 msnm.

Às 13:40 estávamos entrando na cidade de Tafí del Valle/TUC e bem na entrada encontramos um restaurante (GPS: S26.85971° W65.69644°) parte de uma pousada chamada Cabañas Sayacuna Huasi (booking.com). O lugar pareceu legal e decidimos parar ali. Enquanto estacionávamos as motos, reparamos que havia um pequeno cacto decorando a frente do restaurante, foi o nosso primeiro, de muitos que veríamos nessa viagem.

Quando entramos, o restaurante estava relativamente vazio, mas em questão de minutos encheu, com um grupo de turistas que viajavam em um ônibus. Nos apressamos para pedir e tentar ser um dos primeiros a serem atendidos. Pedimos uma carne para cada um, e salada e fritas de acompanhamento. A estratégia deu certo e nosso pedido não demorou muito. Estava excelente, bem servido e custou cerca de ARS 230 (perto de R$70). Ficamos por cerca de 1h10m no restaurante.

A região do Valle de Tafí é muito bonita e pode ser uma opção de local para hospedagem para quem curte um frio em altitude. Como não nos hospedamos lá, não temos recomendações, mas você pode escolher uma dentre várias opções na região (booking.com).

Saímos do restaurante e voltamos para a RP307, que atravessa a cidade. Perto da saída ultrapassamos uma pequena moto onde ia um motociclista que levava também seu cachorro pitbull, uma cena bem engraçada, pena que não conseguimos uma foto boa da situação.

Depois de Tafí a estrada volta a subir e em cerca de 20km subimos de 2000 msnm até 3042 msnm no ponto conhecido como El Infernillo. É o ponto mais alto dessa passagem e une o Valle de Tafí com os Valles Calchaquíes. Neste trecho vimos ao lado da pista a primeira neve de nossa viagem, mesmo com a temperatura tendo estabilizado por volta dos 11C. Há um local de parada com uma grande bandeira da Argentina, venda de artesanato e algumas lhamas presas para fotos. Nos pareceu muito “tourist trap” (armadilha pega turistas) e decidimos continuar sem parar ali, já era 15:10.

O asfalto que é excelente até Tafí, começa a ter alguns buracos até El Infernillo e piora muito até o encontro com a Ruta Nacional 40 (RN40). É transitável e qualquer moto passa com facilidade, mas tem que prestar atenção e a moto vai sacolejar bastante. Outro ponto de atenção são os animais próximos à pista. Encontramos rebanhos de ovelhas e trompas de lhamas.

Passamos também por uma série de badenes. Badén é uma valeta longa, normalmente de concreto, usada para facilitar o escoamento da água de um morro/montanha, na maioria das vezes em uma curva da estrada, ou a passagem de um rio. Normalmente é bem tranquilo de passar. Quando está seco e limpo, dá para acelerar e brincar de montanha russa. Com um pouco d’água, você vai molhar as botas. O problema é quando a água deposita terra ou areia na depressão. Mais para frente na nossa viagem, no Peru, encontramos um badén com água e uma camada fina de terra, que era um verdadeiro sabão. Na RP307, como era inverno, só encontramos um ou outro badén com um filete d’água, nada mais do que isso.

Passado El Infernillo começa o Parque Provincial Cumbres Calchaquíes, com uma zona conhecida como Campo de Los Cardones (campo de cactos). Em alguns pontos da estrada conseguimos bonitas vistas do vale coberto com centenas de cactos, algo bem diferente do que estamos acostumados no Brasil.

Fizemos duas paradas neste trecho. Duas paradas rápidas só para fotos. A primeira, paramos no acostamento (GPS: S26.66503° W65.81682°), e tentamos tirar uma foto das motos com os cardones atrás, mas não ficou muito boa, talvez se tivéssemos parado um pouco antes, o ângulo teria sido melhor. Dez minuto depois, parávamos no segundo ponto (GPS: S26.61453° W65.84327°), que parecia um mirante, a alguns metros antes do Observatório Ampimpa.

Ao passar pelo povoado de Amaicha Del Valle, a estrada fica menos sinuosa e mais 10km chegamos no encontro com a RN40, próximo às Ruinas de los Quilmes. Dali até Cafayate são apenas 50km em uma estrada em bom estado, plana e com longas retas e poucas curvas. Pelo o que me lembro há vários badenes, alguns com água e outros secos, com areia trazida do rio, mas passamos sem problema por eles. Nos outros que era só concreto, dava para ficar de pé na moto, manter a aceleração e sentir a moto acompanhando o badén. Além dos badenes, a pista segue uma ondulação do terreno, dando aquela impressão da pista sumir e voltar a aparecer mais à frente. Parecia desenho animado e, mais um pouco, íamos encontrar o papa-léguas correndo do coiote.

Já era o final da tarde, o sol já se escondia atrás da cordilheira. Em Quilmes há algumas ruínas de povos antigos da região, mas como nosso colega Willian tinha nos dito que não valia a pena conhecer, seguimos direto até o nosso hotel em Cafayate. No trajeto passamos por pequenas cidades como Colalao del Valle e Tolombón, que apresentam uma arquitetura que remete ao deserto, com o predomínio da cor ocre da argila e construções térreas.

Esta região é conhecida pelos vinhedos de uvas Torrontés e na estrada pudemos observar várias plantações. Como estávamos no inverno todas as parreiras estavam secas. Muitos turistas vêm conhecer a região com um enfoque nos vinhos, fazendo tours por vários vinhedos e visitando o museu do vinho em Cafayate.

Chegamos às 16:40 no Hotel Portal Del Santo (GPS: S26.07612° W65.97404°), que fica bem próximo da entrada sul de Cafayate/SAL. Hotel muito simpático, com dois pavimentos, vagas para veículos, piscina e um salão usado para café da manhã. O hotel é administrado por uma família e quando chegamos fomos muito bem recebidos pelo Cristian, um dos filhos, motociclista também, que investiu boa parte de sua grana em uma moto Harley Davidson e também gosta de longas viagens. Ele foi extremamente amável, nos ajudou a carregar as malas até o nosso quarto e nos deu algumas dicas da cidade. Recomendo escolher um dos quartos do piso inferior, o que facilita para carregar toda a tralha até o quarto, e não vimos nenhuma desvantagem em relação aos pisos superiores.

O quarto era simples, mas bem arrumado, com ar quente/frio e banheiro com aquecimento. Como o hotel não fica no centro da cidade, mas numa ótima localização a duas quadras, o hotel é bem silencioso. O espaço era bom para colocar toda a nossa tralha. Instalados, fomos tomar um banho e tirar a poeira do corpo. Precisávamos também fazer um pouco de hora, pois a lavanderia que o Cristian nos indicou só abriria após às 18:30. Por sinal, com um bom serviço e muito barata, um cesto de 50 litros de roupa custou ARS 55 (cerca de R$15). Deixamos a roupa para pegar na noite seguinte. A Lavanderia Julieta fica na calle (rua) Vicario Toscano, 228, entre a Buenos Aires e Catamarca. GPS: S26.07330° W65.97893°, a uma quadra e meia da Catedral de Cafayate.

Uma história engraçada aconteceu antes de sair para a lavanderia, quando encontramos os pais do Cristian para terminar de preencher a ficha do checkin. Eles comentaram que tinham achado estranho quando receberam o meu email pedindo um quarto de casal e perguntando se podia parar duas motos. Eles agora estavam rindo, pois esperavam um casal de homens e não imaginavam que uma mulher estava pilotando uma das motos.

Depois da lavanderia retornamos para a praça central da cidade, onde fomos conhecer a catedral e demos uma volta para conhecer os restaurantes e o comércio. Acabamos escolhendo um pequeno café para comer um lanche e um suco, se chamava Chikan (GPS: S26.07369° W65.97597°), mas não tinha nada de mais, foi satisfatório.

Depois de lanchar, começamos a voltar para o hotel, mas no caminho encontramos a Fábrica de Alfajores Artesanales Calchaquitos (GPS: S26.07392° W65.97545°), na Gral. Güemes Sur 118. Com uma grande variedade de alfajores com diversos recheios e coberturas, uma delicia. Para quem gosta de doce, especialmente alfajores, é parada obrigatória levar uma caixa com meia dúzia, que eu sozinho liquidei em 24h.

Finalmente retornamos ao hotel para descansar.

Veja também:
- o relato da Claide para este dia: "Surpresos com a beleza do Valle del Tafí"
- o relato do dia anterior: "Dia 08, de Joaquín V. González/SAL/ARG à San Miguel de Tucumán/TUC/ARG"
- o relato do dia seguinte: "Dia 10, Quebrada de Las Conchas em Cafayate/SAL/ARG"

Anexos

  • Descrição do Arquivo
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    Tipo do Arquivo
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    Track Garmin (completo e compactado .zip) do trecho que fizemos no dia 09 da expedição.
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  • mr2014_09_cpt.GPX
    Track Garmin (reduzido) do trecho que fizemos no dia 09 da expedição.
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