Dia 12, de Cabra Corral/SAL/ARG à Tilcara/JUJ/ARG

Dia 12, de Cabra Corral/SAL/ARG à Tilcara/JUJ/ARG

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10/07/2014. Neste dia nós tivemos uma ótima surpresa. Seguimos a dica do Christian, do Hotel Portal Del Santo (GPS: S26.07612° W65.97404°) em Cafayate/SAL, e rodamos a Ruta Nacional 9 (RN9) no trecho que sai de Salta/SAL e passa pela cidade de La Caldera/SAL e as represas de Campo Alegre, Las Maderas e La Ciénaga. São 50km de muita curva em uma estrada estreita percorrendo a encosta de uma montanha que divide as províncias de Salta e Jujuy.

Começamos o dia às 8:30 tomando o café da manhã no Hotel del Dique de Cabra Corral/SAL (GPS: S25.27703° W65.38790°, booking.com). O hotel até oferece uma variedade de itens para o café, mas falta muito para ser o mínimo que se espera para um hotel que se diz quatro estrelas e custou 1200 ARS (365 BRL) a diária. O hotel possui lindas vistas para a represa, mas que não compensam as defasadas instalações e o atendimento ruim.

Preciso contar algo que acabei esquecendo de relatar no dia anterior. A Claide tem o hábito de tirar os pés da pedaleira e alongar as pernas, deixando os pés bem próximos da pista. Isso sempre me dá uma tremenda aflição de que ela vai acertar o pé na pista ou em alguma coisa. Até que ontem ela acertou uma pedra grande que estava caída depois de uma curva na pista a menos de 200 metros do hotel. Apesar da bota ter protegido bem o pé, ela ficou com muita dor da pancada. À noite passamos uma pomada para a dor. E agora de manhã esperamos fazer o efeito do analgésico e do anti-inflamatório.

Subimos nas motos por volta da 11hs e rodamos o belíssimo trecho de 12km da Ruta Provincial 47 (RP47) que contorna a represa de Cabra Corral até o encontro com a Ruta Nacional 68 (RN68) na cidade de Coronel Moldes/SAL. Rodando de dia pudemos apreciar melhor a paisagem e conseguimos belas fotos.

O trecho da RN68 de Coronel Moldes até Salta é bem tranquilo, só começamos a pegar um pouco de trânsito quando chegamos em Cerrillos/SAL, cidade colada a Salta. Uma coisa que nos arrependemos foi ter atravessado o centro de Salta, um inferno, dezenas de semáforos, ninguém respeita as motos grandes, levamos várias fechadas dos carros e uma moto pequena nos passou pelo meio fio e quase bateu na gente. Minha sugestão é contornar o centro e rodar pelas avenidas Circunvalación Sureste e Oeste. Um grande aprendizado desta viagem foi, sempre que possível, evitar entrar nas cidades médias ou grandes.

Depois de todo o estresse dentro de Salta começamos a seguir as placas para La Caldera e logo estávamos na RN9 sentido San Salvador de Jujuy/JUJ.

A RN9 nesse trecho é bem estreita, tendo cerca de 4m de largura de pista e com tráfego nos dois sentidos, onde para um carro cruzar com o outro, ambos têm que jogar pro acostamento. Por essa característica, caminhões estão proibidos de rodar neste trecho. Até quando ultrapassávamos um carro com as motos era estreito, se o motorista não colaborasse tínhamos que tirar uma fina do carro para realizar a ultrapassagem.

A estrada começa bem sinuosa, mas ainda estamos próximos da base da serra, acompanhando o Rio Caldera. Quando chegamos na primeira represa, Dique Campo Alegre, a estrada começa a mudar e começamos a subir a lateral do morro e a estrada se torna sensacional e ao mesmo tempo perigosa.

O perigo vem do fato da pista ser estreita e em muitas curvas não se tem visão de todo o trajeto, o que pode resultar num grande susto ao encontrar um veículo no sentido contrário. Para complicar mais, não há acostamento em nenhum dos lados. Num dos lados você encontra a lateral da montanha, do outro é um verdadeiro desfiladeiro, a um palmo da pista. E se não bastasse, a maioria dos motoristas dos carros que encontramos no caminho, não gostam de ser ultrapassados e dificultam as ultrapassagens. Mas tudo é compensando pela beleza da estrada, onde podemos ver a mata nativa da região, uma vista privilegiada do vale formado pela montanha e as três represas que ficam no trajeto da pista.

Um momento engraçado foi a alguns quilômetros depois de termos entrado na província de Jujuy, uma família, turistas, tirando fotos ao lado da pista, quando nos viram ficaram todos animados e bateram palmas para nós… kkk… Fizemos algumas paradas rápidas para tirar fotos nessa estrada. De um dos pontos que recomendamos (GPS: S24.45483° W65.29277°) é possível ver a represa Las Maderas ao fundo.

Pouco depois das 14hs, quase chegando em El Carmen/JUJ, avistamos a última represa, chamada Dique La Ciénaga. Nela decidimos fazer um desvio para conhecê-la melhor e acabamos encontrando um simpático restaurante especializado em peixes da própria represa. O restaurante se chamava Los Diques(GPS: S24.43162° W65.27598°) e a sua especialidade era o peixe pejerrey. Restaurante bem simples, mas honesto e barato. Dependendo do horário que você passe por lá, vale uma parada para almoço.

Bem alimentados, seguimos pela RN9 (Salta-Jujuy), passando por El Carmen até chegar em Jujuy. Aqui a estrada contorna a cidade e não tivemos que nos estressar para atravessar o centro de outra grande cidade. Saindo de Jujuy encontramos pequenos trechos da RN9 (Jujuy-Tilcara) em obras, mas que não atrapalharam a nossa viagem.

Para quem vai atravessar as cordilheiras pelo Paso Jama, uma das opções é ficar em Jujuy, uma cidade grande, capital da província de Jujuy. Ela fica à 60km de Purmamarca/JUJ, cidade onde é o encontro da RN9 com a Ruta Nacional 52 (RN52), que faz a ligação até o Paso Jama. A segunda opção é uma cidade bem menor, chamada San Francisco de Tilcara/JUJ, que fica apenas 26km ao norte de Purmamarca e também tem posto de combustível.

Acabamos seguindo uma sugestão que vimos na internet e escolhemos pernoitar em Tilcara. A idéia é usar a altitude de 2500 msnm (metros sobre o nível do mar) da cidade para se aclimatar e se preparar para a travessia que no ponto mais alto chega a mais de 4800 msnm. Não sei o quanto isto foi efetivo ou não, mas por coincidência não tivemos problemas relacionados a altitude na nossa travessia no dia seguinte.

Os cerca de 80km da RN9 entre Jujuy e Tilcara está em ótimo estado. O traçado é predominantemente de retas com algumas curvas de média velocidade, acompanhando o Rio Grande, que apesar do nome, no inverno fica bem pequeno (ô piada infame). Paramos em dois pontos da estrada para fotos.

O vale, deste trecho da RN9 a partir do povoado de Vulcán/JUJ, é conhecido por Quebrada de Humahuaca, declarada pela Unesco patrimônio cultural e natural da humanidade . Pelos últimos 10.000 anos o vale é uma importante rota de comércio entre os povoados da região. Ao longo da quebrada há vestígios de sucessivos assentamentos: comunidades pré-históricas de caçadores/coletores e primeiros fazendeiros (9.000AC à 400DC); grandes sociedades agrícolas estruturadas (400-900DC); império Inca (séc. XV); cidades espanholas (séc. XVI-XIX); e traços da disputa pela independência (séc. XIX e XX).

Em Tilcara visitamos a Pucará de Tilcara (GPS: S23.58413° W65.39985°), um sítio histórico que mostra como os povos nativos da região viviam. Pucará são fortalezas, mas neste caso, dado a posição estratégica em cima de um morro e com uma excelente visão do vale, ela não possuía paredes fortificadas. Foi uma visita interessante, mas prepare o fôlego, pois subir os 80 metros até o topo do memorial, a cerca de 2500msnm não é fácil.

Para chegar na Pucará, seguimos as instruções do GPS. O caminho que ele indicou era de rípio, com alguns trechos degradados, e, acredito eu, atravessa o leito do Rio Huasamayo, que no inverno estava seco. Passamos sem dificuldades. Acredito que há um segundo caminho que atravessa uma ponte, mais a sudeste na cidade. Então, se você for no verão, sugiro confirmar na cidade qual o melhor caminho. O segundo ponto de atenção é onde estacionar, existe um pequeno estacionamento próximo a entrada do parque, mas que estava lotado. Os demais carros estavam estacionados na rua mesmo, mas é bom planejar como estacionar, pois é na subida de um morro. Além disso, encontramos “flanelinhas” se oferecendo para olhar as motos. Isto nos deixou desconfortáveis e por conta disso e do cansaço, só eu visitei a Pucará, a Claide preferiu ficar de olho nas motos.

Na cidade, tínhamos escolhido e feito reserva no Las Terrazas Hotel (GPS: S23.57610° W65.39041°, booking.com) para passar a noite, diária de 112 USD (260 BRL). Hotel bem charmoso, com uma decoração típica da região. A dona é argentina, mas já morou um tempo no Brasil e fala português. O hotel fica na encosta de um morro, para cada ambiente do hotel você tem que subir escada. Isto não incomodou, mas precisei pedir ajuda do hotel para carregarem as nossas malas. Demoraram um pouco, mas fizeram com boa vontade.

O quarto do hotel é espaçoso, bem decorado e dispõe de um sistema de calefação bem quente. Infelizmente não encontramos onde ajustar a temperatura e acabamos tendo que deixar a janela do quarto aberta para dar uma amenizada na temperatura. Para variar sofremos com o sinal do wifi no quarto, já na recepção e no restaurante ele funcionava bem. Por falar em restaurante, decidimos jantar lá mesmo no hotel. Fizemos o pedido por volta das 19:30. A dona, sem o cozinheiro, acabou dando um jeito de ir nos servindo e acabou rolando um banquete, mesmo com o cozinheiro chegando apenas a tempo de preparar o prato principal e insistir de colocar a assadeira no chão enquanto brigava para acender o forno.

Novamente nos assustamos com um funcionário no nosso quarto à noite. A justificativa era o serviço de “turndown” do lençol, preparando a cama para quando fôssemos dormir. Com a experiência do dia anterior, tínhamos trancado os nossos pertences nas malas de alumínio e o pouco que deixamos para fora, aparentemente, não foi mexido. Pode ser uma gentileza esse serviço, mas como o caipira aqui não está acostumado, ficamos incomodados e preferimos que a equipe do hotel entrasse o mínimo necessário no quarto. Depois disso, em todos os outros hotéis, sempre trancávamos os nossos pertences nas malas de alumínio.

Ansiosos fomos dormir pensando no dia seguinte, quando atravessaríamos a Cordilheira dos Andes pelo Paso Jama e chegaríamos finalmente ao Atacama, um dos grandes destinos da nossa viagem.

Veja também:
- o relato do dia anterior: "Dia 11, de Cafayate/SAL/ARG à Cabra Corral/SAL/ARG"
- o relato do dia seguinte: "Dia 13, de Tilcara/JUJ/ARG ao Atacama/II/CHI "

Anexos

  • Descrição do Arquivo
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    Tipo do Arquivo
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  • mr2014_12-1000.GPX
    Track Garmin (reduzido) do trecho que fizemos no dia 12 da expedição.
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  • mr2014_12-full.GPX.zip
    Track Garmin (completo e compactado .zip) do trecho que fizemos no dia 12 da expedição.
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