Dia 14, Valle de La Luna em San Pedro de Atacama/AN/CHI

Dia 14, Valle de La Luna em San Pedro de Atacama/AN/CHI

  
939   0   25   1   0
Comentários (0)

12/07/2014. No nosso primeiro dia no Atacama aproveitamos para descansar um pouco, planejar o que iríamos visitar na região e contratar os passeios ou guias. A travessia do Paso de Jama foi bem cansativa. Pegamos muito frio e vento, próximo do nosso limite de resistência. Mas acho que o que mais nos deixou tenso foi a preocupação das condições piorarem, mais frio, mais vento ou mais neve, a ponto de não conseguirmos fazer a travessia. Isso que dá cruzar os Andes em pleno inverno.

O hostal Lickana

Na parte da manhã ficamos pesquisando as atrações turísticas da região no nosso quarto na pousada. Por falar na pousada, ficamos hospedados no Hostal Lickana (GPS: S22.91139° W68.20268°, booking.com), recomendada pelo TripAdvisor.com e um colega. No geral, não gostamos e achamos muito cara pelo o que oferece, a diária custou mais de US$100. A única coisa boa era a localização, na ponta da principal rua da cidade. A rua Caracoles é onde estão os restaurantes, lojas e empresas que organizam os tours turísticos. Também próximo, na esquina da Caracoles com Toconao, você encontra algumas casas de câmbio.

Nossa insatisfação com o hostal começou pelo fato de não ter ninguém da pousada na maior parte do dia. Quando chegamos na noite anterior, encontramos uma anotação afixada na porta da recepção com o meu nome e o número do quarto. A chave estava do lado de fora da porta. Entramos e guardamos as nossas coisas e passamos a ter que levar a chave para cima e para baixo.

Na mesma noite, precisávamos da senha do wifi para atualizar o blog sobre nossa viagem, tocamos a campainha da recepção, mas nada de aparecer alguém. Acabamos saindo para jantar e, quando voltamos algumas horas depois, novamente ninguém na recepção. Nova tentativa com a campainha e desta vez apareceu um cara, responsável pela pousada, que nos passou a senha. O fato de não ter ninguém na recepção, também impedia de termos a quem recorrer para pedir informações sobre a cidade, sugestão de onde comer e etc.

Sofremos também com a internet do hostal que era um lixo, além de lenta, dava muitos erros, acho que fazia mais de 10 anos que não navegava numa rede tão ruim. Era impraticável navegar. Como não conseguíamos dicas da recepção, tentávamos usar o site tripadvisor para pegar recomendações, mas não conseguimos acessar o site de nenhum jeito. A internet é pior do que internet 2G, em cidade do interior, pela TIM aí no Brasil.

Outro ponto que nos incomodou foi o quarto que não possuía calefação, somente cobertores elétricos. A temperatura no quarto caía para algo perto de 5C na madrugada. Os cobertores esquentavam super bem, mas acabavam nos prendendo às camas, pois de madrugada era uma missão quase impossível sair da cama para ir ao banheiro. A água do chuveiro era bem quente, mas mal você abria a água o ralo do box entupia, formando uma verdadeira piscina no banheiro.

Tínhamos também a preocupação com a segurança, pois os dois grandes portões que dão acesso ao pátio do hotel ficam abertos durante o dia, sem ninguém para controlar o acesso. Isso facilitava o acesso de qualquer um às motos estacionadas no pátio ou até o mesmo ao quarto. Pode ser paranóia de brasileiro, mas por precaução, sempre guardávamos os pertences de maior valor nas malas rígidas, trancadas com chave. Não que isso impedissem de levar a mala inteira, mas evitava exibirmos os nossos pertences. A gota d’água foi quando voltamos para hostel no último dia e a faxineira que limpa os quartos e troca as toalhas, deixou nossa porta aberta.

Hoje quando me pedem uma recomendação de onde ficar em San Pedro de Atacama não sei o que responder. Acho que pelo o que outros viajantes relatam sobre as hospedagens na cidade, o Lickana é até uma boa opção na faixa de preço dele, você só precisa baixar bastante as suas expectativas. Caso o seu próximo destino seja em direção ao Pacífico, uma dica é fazer os passeios durante o dia na região de Atacama, mas próximo ao fim da tarde, seguir para Calama e se hospedar lá. Ela fica a 96km de distância e em menos de 1h hora você consegue percorrer a estrada com asfalto em bom estado. A cidade tem uma infra-estrutra melhor e por ser menos turística é bem mais barata.

Reservando os passeios e almoço

Depois de selecionar quais passeios gostaríamos de fazer na região, fomos para a rua Caracoles procurar uma empresa que realiza estes tours. A primeira que paramos, foi indicada pelo dono da loja onde a Claide tinha comprado alguns itens na noite anterior. Na porta encontramos o simpático Philippe, um guia que trabalha para várias empresas da região. Ele nos deu várias dicas e acabou sugerindo quais passeios deveríamos fazer de moto e quais deveríamos contratar um tour.

Acabamos fazendo a seguinte programação:
- 13/07 - Geiser del Tatio - contratamos o tour com van e guia;
- 14/07 - Salar de Tara - iríamos de moto, mas para aumentar a segurança, contratamos e combinamos de seguir a van da empresa;
- 15/07 - Vulcão Lascar - Trekking com guia;
- 16/07 - Lagunas Altiplanas (Miscanti e Miñiques) - iríamos de moto, sem guia;

Feitas as reservas, seguimos até a esquina com a rua Toconao, onde há várias casas de câmbio e trocamos o que havia sobrado de pesos argentinos e alguns dólares, o suficiente para as despesas dos próximos dias e também para pagar os passeios contratados.

Voltamos a caminhar pela Caracoles e parecia que a cada passo que dávamos éramos abordados por um guia turístico tentando vender passeios, ou alguém vendendo algo ou um garçon chamando para um restaurante. Não chega a irritar, mas fica aquela sensação de que aquela cidade é uma armadilha para turistas.

Acabamos decidindo almoçar no restaurante Adobe (tripadvisor.com). A comida estava muito boa, mas precisa ter bastante paciência com o atendimento lento. A decoração é rústica e as mesas estão em volta de um pátio, onde há um grande tacho que à noite funciona como uma lareira. A conta não foi nenhum absurdo (para um dólar perto de R$2.25) e recomendo fazer pelo menos uma refeição lá durante a sua visita ao Atacama.

Valle de La Luna

O Valle de La Luna (Vale da Lua) é considerado um dos locais mais secos do planeta e sua aparência lembra a superfície da lua, dando a origem a seu nome. Esta semelhança leva a NASA, agência espacial americana, a testar alguns dos seus veículos neste vale antes de enviá-los para fora da Terra.

O melhor horário para visitar o mirante do vale é durante o pôr do sol. Já era final da tarde e consultando o GPS confirmamos o horário correto que o sol se poria. Saímos da nossa pousada com cerca de 30 minutos de antecedência e pegamos a CH-23 sentido Calama. Mal rodamos 5km e nosso GPS sugeria um ponto de parada para fotos no acostamento da pista (GPS: S22.91662° W68.24068°). Não é o melhor local para ver o vale, mas é um lugar interessante para tirar uma foto da sua moto com o vale ao fundo. Ficamos cerca de 5 minutos lá e continuamos a rodar.

Mal percorremos 800 metros e vimos alguns carros e vans saindo da estrada principal. No GPS não havia nenhuma indicação sobre aquele caminho. Acabou sendo um trecho tranquilo de 700 metros de offroad, onde qualquer moto consegue passar. Paramos as motos próximas do "mirante" e fomos conferir a paisagem (GPS: S22.91776° W68.25204°).

Devia ter cerca de 40 turistas por ali, mas há espaço de sobra para todos curtirem a luz do pôr do sol batendo nas rochas lá em baixo no vale. Uma linda vista, muito diferente do que estamos acostumados, e agora quando tento imaginar como deve ser a superfície da lua é esta imagem que me vem à cabeça.

Em menos de 15 minutos o sol se pôs e decidimos voltar para a cidade enquanto ainda tínhamos a luz do crepúsculo. A menos de 1km da cidade, a Claide avistou uma placa de “Benvenido a San Pedro de Atacama” e sinalizou para pararmos (GPS: S22.90695° W68.20811°). Tiramos várias fotos ali também. Em uma delas podemos ver a placa e o vulcão Licancabur ao fundo.

Entre sair e retornar à pousada, levamos menos de 45 minutos. Ver o pôr do sol no Valle de la Luna é um passeio obrigatório no Atacama. Se você só puder fazer um passeio, faça este, é um dos mais bonitos, é perto da cidade, dá para ir de moto e rapidinho você vai e volta.

Mais à noite, passei no Café Esquina (tripadvisor.com), que fica em frente a pousada e comprei duas quesadillas para jantarmos. Não eram nada do outro mundo mas serviram para forrar o estômago. E logo nos enfiamos debaixo da coberta elétrica ligada ao máximo para aguentar o frio da noite do Atacama.

Veja também:
- o relato do dia anterior: "Dia 13, de Tilcara/JUJ/ARG ao Atacama/II/CHI"

Anexos

  • Descrição do Arquivo
    Tamanho do Arquivo
    Tipo do Arquivo
    Downloads
  • mr2014_14-full.GPX
    Track Garmin do trecho que fizemos no dia 14 da expedição.
    21 KB
    gpx
    1

Comentários dos Usuários

Não há comentários de usuários para este item.
Já possui uma conta?
Comentários
Powered by JReviews