Rípio, muito rípio, rípio com precipício e mais rípio!!!!

Rípio, muito rípio, rípio com precipício e mais rípio!!!!

  
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Novamente amanheceu muito frio em Cafayate, perto de 0 graus, mas como havíamos planejado, acordamos bem cedo, o que foi muito bom, mal sabíamos que teríamos um dia de grandes barreiras a vencer!

Arrumamos as malas, tomamos café, conversamos com o Cristian (um cara super amável) sobre as estradas, política, salário mínimo na Argentina, inflação, e percebemos que a única coisa que realmente muda é a língua, o resto infelizmente se mantém, o peso não é uma moeda muito valorizada, uma pessoa com um salário de razoável a bom, ganha de 5 a 10 mil pesos mês, uma moto, tipo Bis da Honda, mas chinesa, custa em média 2 mil pesos. Cristian com sua Harley Davidson (não sei o modelo), teve que importar, o que lhe custou quase 400 mil pesos, cerca de 100 mil reais, já no Brasil, a mesma moto deve custar em torno de 40 mil reais! Depois de todo esse papo, pagamos a conta, cerca de 1600 pesos, lembrando que custou mais caro devido a alta temporada, e por ser uma cidade turística, esse valor foi pelos dois dias em que passamos lá, nos despedimos, e partimos, rumo a Salta.

O Bueno queria muito fazer uma estrada bem mais longa, e de rípio, para conhecermos a "Quebrada del as flechas", e o Parque Nacional Los Cardones, cerca de quase 200km de basicamente areia, pedras, e buracos pelo caminho, para termos certeza de que seria um dia para jamais esquecermos. Logo na entrada vimos uma placa do Rally Dakar, recuamos? Claro que não, nos jogamos estrada a dentro na RN 40.... Foram trechos difíceis, pelo menos umas 3 vezes achei que iria cair, devido as curvas fechadas, areiões, pedras, ondulações na pista, tudo de uma vez, cada km uma surpresa, mas não desistimos, e continuamos a viagem, depois de vários sufocos, chegamos a primeira parada "Quebrada De Las Flechas", cerca de uns 45km de Cafayate, um lugar muito bonito, também parecia ter sido desenhado a mão, um local para você admirar a sua grandeza, mas o tempo estava contra nós nesse dia, paramos 15 minutos e seguimos viagem, mais estradas ruins, muita poeira dos carros, e inúmeros caminhos, e fomos adquirindo experiência, no meio de tantas dificuldades. Seguimos, e chegando a Seclantás, cerca de uns 10 km antes, depois de umas 3 horas de muitos perrengues, o pneu da moto do Bueno furou, uma GSA 1200 BMW. Continuamos na estrada devagar, a idéia era fazer o reparo nós mesmos, mas dentro da cidade, seria mais seguro, mas ao entrar na cidade, pedimos informação a um senhor, que nós indicou uma gomeria (borracharia), cerca de 2km de lá, e acabou nos seguindo para ter certeza que acharíamos. Depois de uns 40 minutos a moto estava consertada e fomos em frente. Parecer da estrada, é linda, cheia de desafios, mas que vale muito a pena. Conselho? Vá descansado, devagar, e com bastante cuidado, se tiver horários, ou estiver apertado de dias para viajar, vá pela estrada normal, 150km de asfalto, para Salta, e sem complicações, em 2 boas horas estará lá, em segurança, e de forma tranquila.

Mas nosso dia estava longe de acabar seguimos até Cachi por estrada de rípio, de Cachi a Payogasta a estrada é asfaltada, mas esta em péssimo estado. Saindo de Payogasta, pegamos um trecho de asfalto excelente pela RP 33, até o maior desafio do dia, "Cuesta del Obispo". Meu amigo, é nesse momento que dividimos o passeio, de convencional, para com grandes, inesperadas e forte emoções. Essa estrada que estou me referindo, é bem pouco conhecida, nem o pessoal que nos deram todas as dicas para a viagem a conhecem, é claro que os dois malucos aqui foram conferir, foram 35km de descidas muito íngremes, curvas a cada 10 metros, estrada de chão, pedras, areia, água, desnível constante, e o que mais me assustou, estrada sem acostamento, estreita, com partes desmoronadas, e sem proteção alguma para o abismo. Nesse momento estávamos a mais de 3 mil metros de altitude, resumo, descemos bem devagar (quase parando) tivemos que administrar vários carros nos ultrapassando de todos os lados, e com muita pressa, devido ao jogo das quartas de final, Argentina X Holanda, que seria dali cerca de 40 minutos, e assim fomos devagar e sempre, com muita atenção, passando por rios de água que desciam serra a baixo, aí vocês iram me perguntar sobre a vista, realmente é uma das mais linda que já ví, mas não aproveitei quase nada, foi bastante cansativo, estava com frio, fome, tensa, e muito estressada com os perigos que tínhamos pela frente, e os outros motoristas que não tinham respeito algum por nós! Demoramos acredito eu, cerca de 1 hora e 30 minutos para fazer esses 35km, depois que terminamos a descida, pegamos um pedaço de asfalto, até a próxima cidade El Carril, onde paramos em um posto, para almoçarmos, as 16:30, e faltava ainda, acreditem, 58km até Salta, falando um pouco da ultima estrada, e dando meu parecer, achei perigosa, acho que não voltaria a fazer, e não recomendo, ao contrário de mim, o Bueno se sentiu um pouco mais confortável, e provavelmente indicará para os amigos que vierem para esse destino. Para vocês terem ideia, nesse dia fizemos 250km, em quase 10 horas, e lembrem-se, nem paramos para almoçar, ou abastecer, foi direto mesmo, então pensem bem, porque posso dizer com toda base que me cabe, é muito cansativo!

Nessa parada no posto, falamos com nosso amigo Willian, que falou do hotel Del Dique, em Cobra Corral, decidimos então seguir no sentido contrário de Salta uns 38km, e dormir por lá, já que nós pareceu um lugar muito bonito, pegamos então as motos, e voltamos sentido Cafayate pela RN68, pegamos uma estrada linda, RP47, com uma enorme represa, também chamada de Cobra Corral, passamos pelo clube náuticoo da cidade, e logo mais avistamos o hotel, também foi nessa hora, cerca de uns 100 metros do hotel que algo acertou meu pé esquerdo em cheio no tornozelo, não me pergunte como, e apesar da proteção tripla que tem minha bota, o hematoma foi feio, mal consegui descer da moto, já pela dor, e com medo de ser algo mais grave, já cheguei com os olhos cheios D'água para o desespero do Bueno, que pensou que fosse devido as estradas que tínhamos pego.... O tranqüilizei, e apesar da dor, e de ficar manca, consegui fazer tudo normalmente, depois de 2 horas de banho, e um jantar mais que merecido, só conseguia pensar em dormir, mas a dor no corpo era tão grande que ficou difícil... Depois de um longo alongamento que o Bueno fez em mim, e com todo cuidado, segundo ele, dormi no meio do alongamento, na parte do pescoço....rs

É minha gente, e assim termino esse dia pequeno em kms, mais imenso em histórias para contar...

Vamos fundo que tá raso!!!!

Veja também:
- o relato do Bueno para este dia: "Dia 11, de Cafayate/SAL/ARG à Cabra Corral/SAL/ARG".
- o relato do dia anterior: "Quebrada de Las Conchas"

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